segunda-feira, 2 de março de 2015
Cinquenta tons nada a ver
Já tinha certeza de que o filme seria um top na lista daqueles que nem vale a pena mesmo que vc encontre um ingresso grátis no encarte da revista. Só pelo tipo de livro no qual se baseia. Best seller pra quem curte fantasias desconectadas da realidade e personagens que são uma coleção de estereótipos.
Mas fui ver mesmo assim porque era o único naquele horário --- e chovia demais. Nem dava pra sair do shopping.
Nessas horas, o melhor é se preparar psicologicamente. Não vale analisar muito. Nem esperar demais da sessão. Melhor mesmo é nao esperar nada.
Mas fala sério. It's all rubbish, folks. É lixeira mesmo. Começando pela falta de qualidade técnica.
Iluminação que lembra muito as novelas da tevê. Todo mundo o tempo todo em todas as cenas com a mesma fonte de luz única. Parecendo que a história toda acontece sob a luz do sol e rebatedores perfeitos. Nada de sombras estranhas ou significativas.
A câmera se movimenta da maneira mais óbvia possível. Estilo vamos-simplificar-porque-não-tamos-aqui-pra-ganhar-oscar. Não rola um movimento bacana que ressalte qualquer emoção ou conflito nos personaagens.
Anastassia é a personagem principal. Parece meio perdida principalmente no início do filme. Talvez o roteiro pedisse isso. Mas ela permanece assim até o final. Huahuaa. Será que era essa a ideia? Nope.
Tem também alguns momentos que pretendem ser dramáticos na história. Quando a garota ouve coisas "ousadas" do parceiro. Ousadas? Talvez pra quem vive uma vida sem novidades, bem convencional e um pouco desinformada.
Ele diz que farão um acordo e ele será o dominador e ela a escrava sexual dele. E daí? Parece tudo um pouco fora de época. Sadomasoquismo é coisa antiga. Na Inglaterra é um tipo de fetiche que já é mais que conhecido. Tem os dundgeons por lá exatamente pra isso. Casas dedicadas a isso e gente que pratica há um tempão.
Mas o olhar de Anastassia é sempre uma mistura de ingenuidade com surpresa e choque. Com o sobrenome Steele, que obviamente lembra aço na tradução, talvez a ideia é de que ela seja fria. Ou resistente. Vai saber. Mas não faz diferença nenhuma.
O filme é meio brega. Poderia até ter uma direção de arte bem cuidada e um tom invoador com esse tema na filmagem. Como Hitchcock lembrava, não há histórias ruins. Só histórias mal contadas.
Cinquenta tons é tipo torrada com requeijão. Sem sabor. Sem surpresas. E támbém um alimento que não alimenta.
O mais bacana vai ser ver algum comentário e a zoeira no Não Salvo. Se ainda não saiu vai sair.
Não curti como já esperava. Mas recomendo muito. É material pra muitas horas de risadas e conversa depois da sessão. Lots of pain. No gain. Muita dor pra assistir. Nenhum benefício.
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